Ela partiu


Parem os relógios,
Cortem os telefones,
Impeçam o cão de latir,
Dêem-lhe um osso em meu nome.
Silenciem os pianos e ao som de abafados tambores
Façam entrar o caixão
Com o lamento dos pranteadores.
Que os aviões de luto,
Em sua homenagem,
Nos círculos de um tempo absorto,
Escrevam no céu a mensagem:

Ela partiu...

Ponham laços de fumo
Nos pescoços brancos
Das pombas que habitam as praças.
Façam os guardas de trânsito
Usar luvas pretas de algodão.

Ela era meu norte, meu sul,
Meu leste e oeste,
Minha semana de lutas,
Meu domingo de festa,
Minha noite, meu dia,
A conversa e a canção.
Pensei que o amor fosse eterno,
Pura ilusão.

Esta noite as estrelas já não me seduzem.
Dispensem todas!
Embrulhem a Lua e desmantelem o Sol!
Afastem mares e bosques, apaguem toda a cena!
Pois nada mais, agora, vale a pena.

efeneto*


(Apenas a simples recordação de momentos sublimes...até já.)

Amantes

Ontem beijaste-me.
E mais uma vez o meu corpo reconheceu
que a tua boca nasceu para me beijar.
Cada toque da tua boca em mim fez nascer um rio de vida.
De uma vida doce, sensual, quente e cheia de desejos.
De uma vida amarga, proibida e necessária.
Necessária sim,
Porque faz de mim um homem.

Quantas vezes esqueço que tenho desejos,
Ânsias e loucuras.
Quantas vezes o meu corpo desperta
E, louco, adormeço, sem sonhar…
Quantas vezes o sonho, teimoso,
Desperta o rio que jaz em mim,
Ansioso por percorrer o corpo, que
Te deseja, que esquecido, não te
Esquece.

A tua língua, voraz, molhada, quente,
Atrevida, doce, misturada pelo café que
Partilhamos, pelo cigarro que fumamos,
Pela língua que lambeste e mamaste,
Deixando-me sedento de ti,

Ontem beijei-te, sôfrego, sequioso de ti,
Do teu sal, da tua pele morena, que em
Saudades recordo,
Lambi-te,
Mamei-te,
Bebi a tua saliva, saboreei o teu
Gosto, delineei-te os lábios, recordando
O caminho que sonhei, que vivi, que
Amei.

Sim.
Amei.
Talvez ainda ame…

Ontem beijámo-nos.
Amantes proibidos.
Ontem fomos livres.


efeneto*



Fecho o pensamento

Fecho os olhos…
A boca …
Respiro fundo …
Fundo …
Até ao fundo …
Fecho as mãos lentamente …
Descontraio os pés e o corpo.

Fecho o pensamento.

Os sons exteriores já não os oiço,
Nem um pingo de chuva,
Nem o barulho dos carros a passar,
As vozes …
Há muito que se apagaram …

Neste instante perdi o conceito de dimensão,
Já não me consigo definir …
Sou aquilo que eu quiser …

Sinto-me …
Sem um sentir material …
Sou essência pura …

Desejava eu, ficar eternamente …
Ausente…
Mas não posso …
Embora queira não me perder tal qual sou.


efeneto*

Eu e o Tempo


O ventre do mar foi o ventre do teu corpo …

Penetrei no teu pensamento
e o meu pensamento avançou.
Dancei no tempo
e o tempo avançou!

O sol dançou com a terra.
A lua dançou com o tempo,
no tempo, no ventre do mar.

Penetrei no teu amor
e o meu amor avançou.
O nosso amor foi o sol e a lua,
foi a terra e o mar.
O nosso amor foi o Tempo.
O teu amor foi o meu amor …
agora …
resto apenas eu,
eu e o Mar

o Tempo?
... esse não sei!

efeneto

Amor

«Amor febril, amor viril, amor adolescente,
Amor impuro e de luxo, amor ardente,
Amor correspondido,
Amor fingido ou verdadeiro.

Amor intermitente, amor doente,
Amor primeiro.
Amor sem pretensão,
Amor paixão que chega de repente,
Que mata e se destrói, que arrasa que corrói
E acaba simplesmente.

Amor que se entrega, amor que cega,
Amor que embriaga,
Que vem feito tufão e abrindo o coração
Se espalha feito praga.

Amor desesperado, amor mascado
Amor proibido, amor desilusão,
Amor em vão, amor interesseiro,
Amor traiçoeiro.

Amor que não se vende.
Amor que não tem fim.

Só quem amou assim me compreende.»

Estou grávido de tanto amor.

efeneto*





Eu Próprio

foto: efeneto

Procuro despir-me do que aprendi;
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
Raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembuchar-me e ser Eu...

Ainda assim sou alguém,
Sou o descobridor da natureza,
Sou o argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo universo,
Porque trago ao universo ele próprio.

Em mim há um mar de emoções,
Turbilhão de mim próprio
Labirinto onde me perco e encontro
Na procura constante e incessante
Do sentir profundamente verdadeiro.

Prescindirei de tudo na vida,
Menos de ser eu próprio.


efeneto*


Olhar para ti...e ver.

Gosto de olhar o teu corpo nu, é um prazer que os anos me ensinaram a preservar, numa forma que me permite saborear cada instante infinitamente.
Gosto quando te despes e me ofereces o corpo.
Gosto de apreciar as formas do teu corpo, na sua mobilidade inconsciente e constante.
Mais do que sentir o teu corpo, faço-o meu e tento perceber a sua reacção

Chegamos ao quarto escuro, delapidado de vida, inundado de segredos, fantasias e vontades.
Encostado no umbral da porta observas a curiosidade que me movimenta. Sorris, sabes que necessito de estar seguro e confiante. Tenho de reconhecer aquele espaço como meu. Como nosso.
Pouso a pasta, dispo o casaco e descalço-me. O telemóvel silenciado, as chaves de casa sobre a mesa. Abro as cortinas das janelas discretas, que apenas permitem perceber o dia ou a noite, e volto o olhar para a cama feita e perfeita.

Vens até mim, e num abraço apertado, que pensas acalmar-me o desassossego, inicias um longo e sempre insuficiente beijo.
È o nosso reconhecimento, é o momento em que as saudades morrem, e outras sensações nascem, para outras saudades que iremos ter.
Os teus olhos quentes sorriem-me, desejam-me e confirmam o prazer quase absurdo dos nossos beijos. Nesse toque de pele, lábios e línguas vivemos sempre o prazer e a surpresa do nosso primeiro beijo.

- Vens? – Encaminhado já para a sala, confirmas que esperas ver cumprida a minha promessa.
Nervoso, num prazer que me assusta, sigo-te os passos. Entro na sala no mesmo instante que te viras para mim.
O teu braço fecha a porta enquanto os nossos corpos apenas se roçam numa intimidade desconhecida e prometida.
Ofegante, num respirar quase temido, ergo o meu rosto ao encontro da boca que desce.
Nesse momento reconheci uma boca que nunca beijara, lábios que nunca tocara, língua que nunca provara e a saliva que nunca saboreara.
Beijei-te como sempre te beijara, lambi cada pedaço, provei cada humidade encontrada. Sem nunca o ter feito.
A tua boca encaixada na minha partilhava um prazer desconhecido, mas reconhecido. Como se as nossas bocas fizessem parte de um mesmo corpo, de um mesmo desejo, de uma mesma vida.
Não respirámos, não fechamos os olhos, apenas beijámos. Olhos, nariz, lábios, língua, pele, cabeça, mãos, braços, peitos, pernas, corpos num envolvimento único, desejado, inesperado e surpreendente.
Para ti.…!!! – Exclamas, afastando-te de mim, num olhar esgazeado de espanto, os teus braços criando um espaço de segurança entre os nossos corpos. A tua excitação é evidente.
Sorrio consciente do prazer que experimentamos, seguro de mim. Homem. Teríamos feito amor ali mesmo. Acabarias por me confessar mais tarde que a necessidade de te afastares de mim fora instintiva e abrupta pois de outra forma já não conseguirias parar.
Agora que estamos juntos, e no beijo que partilhamos continua a existir essa magia, essa surpresa e certeza. Ambos sabemos que ninguém mais, em qualquer outro momento será assim, viverá assim o que nós vivemos um com o outro.

- Despe-te para mim, quero ver-te nua. – Sussurro num prazer antecipado.
Sorris, sabes que contigo sou livre, despojado de medos, sem tabus. Estou contigo porque quero, porque te desejo, porque te amo. Para mim é o único sentido do amor. A liberdade de amar, de dar, mais até do que receber.

O teu corpo moreno coberto por uma suave penugem quase negra. Olhas para a cama onde deitado observo-te numa gravação de sentidos e gostos. Quero tocar-te.
Deitas-te ao meu lado, braços atrás da nuca, pernas distendidas seios erectos de prazer numa calma expectante.
Beijo-te os olhos, saboreio a pele fina das tuas pálpebras, as minhas mãos no teu seio sentem o coração que bate, seguram a vontade de ter dentro de mim.
O teu nariz inala forte, quase que respirando pelos dois, os nossos cheiros misturam-se, as bocas encontram-se, o nosso porto de abrigo, onde bebo de ti, onde sabes que o meu prazer começa.
Afasto-me para ver o palpitar do teu corpo, os teus mamilos espetados rodeados por uma auréola quase negra, a minha língua pousa-lhes delicada num pousar quase imperceptível. Quase sinto o teu arquejar, pressinto a vontade das mãos que mais tarde tocarão o meu corpo.
As pontas dos meus dedos escorrem leves pelo teu corpo, numa descarga de energia testemunhada pelo arrepiar da suave penugem, pela pele estremecida e tensa.
Os meus olhos percorrem cada pedaço de pele, observam cada musculo pressionado, a ligeira camada de suor que nasce no corpo que amo.
Abro ligeiramente a boca, numa necessidade premente de sentir o ar fresco que entra e desce pelo meu peito.

Os teus braços abrem-se e neles me aconchego num abraço nosso, cúmplice de afectos, e tão forte quão segura me fazes sentir.
Depositas beijos de sossego no meu rosto quente e corado.
- Amo-te. – Dizemos em uníssono, num silêncio de gestos, num gesticular de sons que nos fazem viver.



efeneto*

(para ti amor incógnito que sabes
que és aquilo que insisto em ignorar)

Quem Sou Eu


Um dia a ternura do mar beijou os olhos da lua.
E eu nasci.

Sou filho do mar e da lua.
Quando olho para o mundo
Não sei se sou sol
Se sou lua...
Não sei se sou mar
Se sou terra...
Não sei se sou flor
Se sou pedra...

Pondo a maré-cheia nos meus olhos
Eu seria mar...
Pondo uma flor na minha boca
Eu seria terra...

Mas a terra e o mar
São dois bocados bonitos do mundo...

Depois,
Seria só pegar nos cadilhos da lua....
E seria o ser que gostaria de ser.

efeneto*

Recomeçar...

Um dia tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e que não quero mais!
Peguei nas palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima da estante, e atirei-as fora!
Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as à mostra, para não as perder de vista.
Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurado bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar, e principalmente de recomeçar...

Releio
Releio os versos que escrevi,
Mudo os poemas de lugar,
Folheio livros que já li
E sei que ainda há muito para escrever.
Tomo o gosto ao som das palavras,
Tacteio a textura das cores
E viro-me para o papel sem sinais
Onde quero escrever AMOR
Com outras cores e sons.
A espera recomeça
E chega-me o eco das palavras
Que todos já escreveram.
Afinal só falta escrever nada
Ou tudo outra vez
Com a voz a tremer
Porque o poema é o pulsar da alma.

efeneto*



Palavras do Coração


“ Partilhar significa compartilhar, como é bom quando podemos fazer com quem gostamos. Com isso, na nossa arte, acabamos de nos unir e dessa união saem somente palavras do coração. "


O que se faz quando se ama
Deixar somente o coração arder em chamas
A alma ansiar ardorosamente
O ser por quem amor sente?
Ou abrir-se, partilhar
Gritar ao universo
Que o quer sempre por perto
Em cada rima,
Cada estrofe
Cada lava incandescente
Que do vulcão eclode
Ah coração!
Andas amando com paixão
Teu mundo brilha
Reluz
O corpo agora é pura luz
Pedaços de escrita enlatada,
Martelada num teclado,
Dum pensamento obstruído,
Beijado sorridente,
Chorado, morto devagar
Desaparecido num tornado,
Enrolado numa nuvem,
Envolta num estrelado
De uma ilusão de um momento.
Ódio do medo constante de estar,
De não ser carácter de papel
Da árvore bendita...
Escritos enlaçados arquivados
Onde estás Poesia!?
Quem te ama!?
Quem vê a tua beleza!?
Onde mora essa arte?
Carregam-se sacos cheios de mudança parada...
Limpam-se paredes de misérias caladas...
Pagam-se facturas de flagelos atordoados!
Essa maldita farpa que espeta até fazer sangrar o coração...
Tu, Poetiza, és de ouro puro,
tens as pérolas sábias do escrever.
Eu não sei usar as palavras...
Sei apenas transcrever o que me dita o coração...
O que me dita o querer...

By Eärwen Tulcakelumë & Efeneto

Eu - Palhaço

Era todo o Universo, o meu mundo.
O meu mundo fácil.

Eu era o sol íntimo
Que acarinhava o meu próprio mundo.
O meu mundo decorado de fácil.

Eu era um palhaço vestido de fácil.
Um palhaço que tinha um sorriso fácil...
Era a força mais fácil para encontrar um amigo fácil!...

Mas o meu mundo, o meu mundo fácil,
Foi devorado
Pelo tempo que não respirou.

O palhaço,
Deixou de ser o palhaço decorado de fácil!
O mundo fácil já é não o mundo fácil...
A simbiose palhaço-pessoa deixou de actuar!

Hoje,
O meu mundo fácil, é outra simbiose.
Eu-Solidão
Solidão amiga, Fácil!


efeneto*

Para ti... Amanhã Pai


Cada vez que olho a porta, ainda espero vê-la abrir-se e surgires no umbral.
Com o teu sorriso.
A tua voz cálida.
Tento fingir que apenas estás fora e que voltas um destes dias, de surpresa.
A saudade aperta...
Quero lembrar-me de tantos momentos, de tantos gestos.
Eles surgem de forma atropelada, sem sequência.
Mas instalam-se no meu pensamento e acompanham-me sempre.
Todos os dias.
Todas as horas.
Todos os minutos.
Dentro de mim.
No pensamento e no coração.
Terás um sorriso.
Mesmo que seja um sorriso triste.
E repito agora o que tantas vezes direi ainda.

Amo-te, tanto Pai…


efeneto*

Obrigado...

Eu sempre costumo dizer que os amigos são flores.
Flores por quê?
Porque as flores além de sua
graciosidade deixam perfume nas mãos de quem as colhem.
Assim são os amigos, cada um traz consigo uma essência
característica de sua personalidade.
Cada amigo que colhemos no jardim da vida tem sua
essência, alguns têm-na mais concentrada,
outros equilibrada e outros ainda tão suave que só
com a alma podemos senti-la.
As melhores essências são sempre encontradas em
pequenos frascos, assim são os amigos,
as vezes pequenos frascos talvez até mesmo sem um
rótulo, mas cuja fragrância invade até a alma.
Quero agradecer-lhe esta demonstração de amor
e amizade, amizade que não é senão a melhor
forma de vivermos o "amor". Os prémios esses estão
no baú para mais tarde recordar.
efeneto.
Obrigado a:

Noite...

“Noite é querer, é poder, é disfarce,
é deixar para trás e largar.
Escuro é esconder, é guardar,
é um livro esquecido e papel para escrever.

Há uma janela no rio, há um monte a tapar,
há vento que entra... frio e tu a olhar.

Mais uma carta rendida,
mais um cenário que manda dançar;
Mais uma dança perdida e a noite só para lembrar.

Festa é gritar, é ganhar, é correr,
é fugir demais,... Fugir demais...

Noite é poder, é querer,
é chorar em teus braços,
teus olhos, teus traços, teus lábios,
meus paços e em ti acabo o meu fado,
o teu fado é meu fado, em ti eu acabo...”

efeneto*

Com muito amor...

Com muito amor...
Posso ver-te,
Doce luz da minha existência
Sentir teu perfume inebriante.
Escutar o palpitar do teu coração.
Secar tuas lágrimas que teimam em correr,
Dando um brilho tão especial.
Ao teu olhar, que me busca, mas não me vê,
Busca ver-me com a tua alma
E nas coisas mais simples que estão à tua volta,
Aí me verás
Na luta do dia a dia,
Eu te acompanho e te dou força,
Amparo e protejo,
Só tu me vês…
Nas tuas noites mal dormidas,
Eu te acalento e embalo,
Só tu não me ouves...
Busca em mim todos os momentos
E a ti eu torno,
Com muito amor...

Com muito amor...
Quis pensar, sonhar,
Esquecer que quis amar.
Viver, ser amado,
Tudo isso quis, mas renunciei.
O teu rosto, o teu sorriso,
Os teus lábios, o teu corpo,
Tudo em ti quis esquecer.
As tuas promessas, os meus sonhos
O nosso futuro, eis o que não posso esquecer
Nem pensar nem muito menos sonhar,
Porque o meu sonho é realidade! Tu!
Com muito amor...

efeneto/my feelings


(Porque um poema é um ramo de palavras e porque as palavras são escritas por poetas, estes poetas dedicam este ramo de palavras aos amigos comuns. Tal como na amizade a partilha de ideias é um dom a preservar)


Poesia Diária

Tiro do dia
A poesia
E faço Poemas;
E os reúno num livro;
Que vendo para comprar trigo
Para fazer o pão-nosso
Das minhas Helenas.

O pão-nosso de cada dia.
A Poesia nossa de cada dia.
O Poema nosso de cada dia.
O livro nosso de cada dia.
O dia nosso de cada semana.
A Helena minha de cada noite.

Mas não sei o quanto vai durar,
Quando tudo vai acabar.
Não sei se terei nova amada,
Se vou fazer mais uma rima.
Não sei se visitarei Harmada.
Ou se a morte me pegará na esquina;
Ou se sentirei novamente esta necessidade
Fisiológica de urinar versos.


efeneto*



Saudade e Solidão...

O sol convidou-nos ontem
Sobre a areia.
Envolvei-nos o rumor suave do mar.

Teu corpo me deu calor
Tinha frio.
E ali na areia entre nós
Nasceu este poema,
Este pobre poema de amor.

Para ti...Para ti...

Meu sonho em flor
Na história do amor mais eterno
É humilde,
Gentil,
É chuva de Abril no Inverno.

Meu suave amanhã
Meu velho refrão de um poema
É a fé que perdi
Meu caminho e minha estrada
Meu doce prazer
Meu sonho de ver tua imagem.

E a brisa a cantar
É o sol a brilhar na paisagem.
Meu manancial de luz celestial,
É a riqueza que tenho no olhar.

Meu ninho
Meu lar de nobreza
Sem sentir a meu lado
Teu doce prazer
Sou banco parado
Onde eu senti
Onde eu escrevi
Meu poema...

efeneto
( ...para um rosto que me
fez voltar no tempo......)

...

Hoje estive com Ele…
o Mar;
O Mar falou-me das suas grandezas,
dos impérios que o fomentam,
das cidades que o habitam,
das forças que o agitam.
Eu falei-lhe …
do meu pensamento,
do meu tormento …
enfim falei-lhe de mim!
E ele,
ele hoje sentiu-se pequeno ...
efeneto*

Elementos

Olhando o céu, elemento de cor e luz, sonho,
Respirando a terra, por onde caminho, acordo.

O horizonte dá-me a resposta,
Que não encontro, quando procuro,
Mas que me persegue,
Quando não olho.

Lá ao fundo, dois corpos, que se tocam,
Linhas ténues, desenhos que não existem.
Desejos enormes, numa linha ténue
Que a cada toque se quebra,
A cada encontro se renova.

No encontro de duas vidas,
No espaço de um sonho,
Vivem duas almas,
Dois caminhos, que se encontram,
Mas,
Vezes sem conta,
Eu não olho, nem vejo.

Acordo!

efeneto*

momentos...

As tuas mãos jamais ficaram vazias.
Tem o dom de transcreverem teu pensamento,
Na esquerda a sabedoria...
Na direita a reflexão,
Numa colocas a água da vida,
Na outra serves-nos delicias
Escondidas, pérolas perdidas.
Jamais estarão vazias as tuas mãos...
E se de novo sentires a tristeza do vazio em ti,
Liga ao pensamento,
Manda soprar o vento,
Abre um sorriso no rosto e diz
:-) sou feliz!
Porque te tenho em mim
Sem te ter aqui...


(para agradecer não interessa a quem,
mas é para alguém...
efeneto)

...na palma da mão...



Dá-me um Beijo
Amor.
Derrama pelos meus lábios o batom que tens nos teus.
Que a tua saliva se misture na minha.
Que a minha língua se faça refém.
Prometo guardar o teu paladar
sem o dar a provar
a alguém.

Só assim
longe
ausente
distante
trancado no quarto
e em solidão
posso sentir o teu sabor.
Ao fazer Amor na palma da mão.

efeneto*



Onde estou?...

Sinto-me só no meio da multidão
Já não oiço o canto do rouxinol
Apenas contemplo as curvas da noite
Com extrema melancolia
Ansiando um raio de sol
Que me viesse a alma beijar...

Ao fundo oiço as vozes que chamam por mim
Mas eu não estou ali
Apenas o meu corpo está
A minha alma vagueia sem norte
Em busca de um degrau á beira-mar,
O silencio....
Apenas a subtil melodia
Do bater das ondas do mar.

Mas as vozes continuam a chamar por mim
Reclamam a minha presença
Será que realmente me vêem?
Ninguém me vê
Apenas desejam que eu esteja presente
E eu a querer gritar
As minhas dores, os meus desalentos
Mas não posso.

Em vez... esboço falsos sorrisos
Tão reais que se me olhasse ao espelho
Me convenceria a mim próprio
De que estou feliz
E as vozes... jamais se calam.
Onde estou?

efeneto*


...máscara...

Assim escondido,
Neste rosto que não vês,
Que pressentes,
Escorrem lágrimas,
De olhares que te procuram,
E que não te vêem!
Ontem, como hoje, sorri,
Fiz caretas, bocejei, vivi.
Hoje, como ontem, sobrevivi
À dor de não te ter,
À cobardia de não querer sofrer,
Leio, leio de novo
As tuas palavras,
Cismando nelas,
Percebendo o fim da magia,
Doce, amarga, feliz,
Trágica.
De cada vez que partes,
Sinto a necessidade de
Voltar ao princípio de nós dois,
Preparar a saudade do
Adeus.
Que não consigo!
Como dói!
Lágrimas secas,
Engolidas, travadas,
Teimosa dor que me
Esmaga.
Grito-te para que me ouças,
E baixinho pressinto a tua
Voz, calma e suave.
Na memória de um momento,
Numa recordação doce.
Solitário.
Uma eterna vez.
O meu corpo sem
Alento, sem desejo.
Espera, sufocado o
Carinho que não chega.
Que não procuro!
Que não quero.
Serás, para sempre,
O meu “…e se?...”.
“Como teria sido…?”
Sonho.
Que raiva!
Destruído pela saudade,
Que ficará, o meu rosto
Escondido, não é de ninguém.
Nem meu, nem teu.
Deles, somente!
Não deixes de me querer!
Vai!!!
Procura e encontra,
Descobre, conquista.
Sê feliz.
Serei também.
Por ti.
Contigo.


efeneto*

Erótica é a Alma.

Pernas entrelaçadas
As minhas, as tuas
Sem saber de quem são.
As mãos!
Língua aventureira
Desvenda os meus sonhos
Molha a minha pele.
Te(n)são!
Jogado na cama
Passeio em teu corpo
Como a tua carne
Em ritual.
Oração!
Eros nos move
Baco nos guias
Ao prazer sem pressa
Até que eu morra em teus braços
Renasça na tua boca.
Para que morras no meu corpo
E renasças
Dentro de mim.

efeneto*

COMO SE FOSSE UM POEMA DE SAUDADE

Existir não é mais do que crescer e ir perdendo vestes...
Nuvens, sonhos, o mar... tudo se desvanece
Mas a montanha, essa permanece eterna.
Tu és uma montanha
Que nem a mais dura das tempestades destruirá.
O teu silêncio continuará a falar-me... cada vez mais.
Contigo aprendi
Lições de humildade...
Histórias de amor imenso...
Nos teus filhos ficará a força germinante
Da terra dessa montanha que tu és...
Neles reflectirás a tua luz
E a semente do muito que te deste e que amaste.
Para eles te fortaleceste.
Em mim...
Fica reforçado tudo o que me ensinaste!
És um bem que aos poucos me assistiu.
Um marco que me contempla...
Não me desabrigues, apesar da noite.
No teu coração ri e sofri.
Contigo levas o que não recebi de ti.
Não me recusaste, mãe...
Só não desejaste, ver-me perder-te,
Entre memórias tristes.
De ti só quero tudo isto que ficou...


efeneto*


Ternura



"Desvio dos teus ombros o lençol
Que é feito de ternura amarrotada,
Da frescura que vem depois do sol
Quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
Como vultos perdidos na cidade
Em que uma tempestade sobreveio.

Começas a vestir-te, lentamente,
E é ternura também que vou vestindo...
Para enfrentar lá fora aquela gente

Que da nossa ternura anda sorrindo.
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
A despimos assim que estamos sós..."

efeneto*

Aprendiz (...em segredo)


Fascinas-me.

Enrolado em ti.... Quando me tocas sem perceber. Quando te sinto sem me tocares. Conto-te segredos e nem sabes que o são. Ouço-te e não me falas.
Não conheço a tua voz. Nunca me ouviste e no entanto respondes-me. Nunca te pergunto nada.
Falas comigo. Devoro o que me dizes. Em silêncio. O teu. O meu.

O caminho é longo. Quase desisto. As tuas palavras tocam-me. Sem mão. Sem gesto. Reflicto nelas a cada instante. Não paro de ler. Não paro de corrigir. Quero conseguir.
Sabes muito. Tanto que me aprisionaste. Não sabes. Quero saber mais.
O teu corpo. Desconhecido. Enrolas-me. Seguras-me. Não vou cair. Eu.
Atrevo-me. Espero tocar-te. Desejo que me sintas. Desvenda-me. Tu.
Procura-me no que te digo. No silêncio que somos nós. E no sobressalto das palavras.
Ouço as tuas palavras. Ressoam em mim... Revoltam-se. Livres. Cheias de segredos. Escondidas.

Não quero o teu segredo.
Quero continuar aqui. Não te percas de mim.
Ensinas-me?

efeneto*

Sem ti, procuro...

Quero ver-te!
Tenho tantas saudades do teu rosto!!!!
Daquele olhar que nunca pousou em mim,
O sorriso que nunca vi, do qual apenas pressenti o esboço.
Quero ouvir-te!
A voz quente e poderosa que me disse “Olá”,
Que me perguntou: “És tu?”
E eu, tal qual um adolescente, corei
Num rosáceo que não viste, mas pressentiste,
À falta da minha voz.

Saudades tuas,
Saudades minhas,
Que me deixam pela metade de mim.

efeneto*

Crónica de um espelho...

[...] "Acordei assim, perfumado da festa. Sem ressaca, sem dor. Um acordar terno como há muito não me lembro ter (...) Não quero tocar-me, não tenho ninguém para me mostrar. Excitado, nu, ocupando a cama. Hoje não estou com essa vontade. Queria uma mulher, qualquer.Queria aquela na qual me reflecti ontem.Necessidades do corpo. Obrigatório levantar. Antes fosse tesão, mas é xixi como é normal. A idade leva a isso...Mato a maldita que virou o espelho para cá!A coisa pior que pode acontecer é ver-me acordado...apenas porque não consigo ver-me. Mas no fim de conta, gostei. Levantei dali directo para o chuveiro. O espelho estava no caminho. Nu, pernas inchadas — quem me manda dançar a sonhar!? — Cara de uma barba por fazer. Mais próximo pude ver os olhos escurecidos pela vida, borrados de solidão, os cabelos desfeitos... desencontrados... desalinhados. Nada consegue fugir a uma manhã solitária. As mulheres quando vão ao espelho costumam encontrar rugas, peitos caídos, cus estriados, coxas de celulite, inconformidades etárias, plásticas mal feitas. Eu não consigo encontrar nada disso. Nem sombra ou parecido. Isso nunca me incomodou. Sou virgem deste espelho. E eu que não me aprecio, apenas enxergo nos outros os reflexos que gosto.Sinto falta de partos que jamais farei, apenas porque não posso. Sou pai de filhos que alguém pariu, não nasceu. Pai de mim. As mãos queriam-se mais sugadas, mais usadas, mais negras da vida. Faço nelas a ausência de mim mesmo. Queria ser magro para ter menos dores a sofrer. Gordo para suportar melhor a angústia.As minhas verdades, pavorosas, são descobertas nos outros olhos, nunca nos meus.Quem sabe se perco a alma se me encontrar no espelho? Quem sabe, fugindo sempre para fora?Não sei me ver sozinho, acho que nunca soube. Desta carente solidão onde acabei por me aprisionar no reflexo de meu espelho".[...]

Nostalgia


Sonhos trémulos e distantes
Ideias dispersas
Tons violeta de mágoa,
Esperanças que se apagam
Num murmúrio incolor.
Eis o meu horizonte!
Nostalgia.
Nota perdida de uma rima
Que o despertar das aurora
Inspirada, me roubou.
Alheio a minha dor
Interrogo a realidade
Numa ânsia mistificada
De renascer,
Que uma vontade perene
Abraça insensível.
efeneto