Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

Deito-me a beber da Terra


Se estou cansado
deito-me a beber da terra
à espera de me redimir.

Oiço as histórias do mundo,
a fala dos animais
e a força das plantas para nascer.
Oiço o que eu quiser
quando me deito na terra.

Oiço-me também a mim
nos silêncios decifrados
recolhendo as respostas
para aplacar a raiva,
para me limpar de ódios,
para saciar a solidão,
para saborear a vida.

Sei que a ela voltarei
no dia em que me despedir
mas dela levo a força
para o sítio para onde for.

*
© efeneto
*

Uma velha



Uma velha rezava o terço
ou passava o tempo na ladaínha.
Perguntei-lhe com os olhos
porque rezava.
Por ti meu filho, que sofres.
Foi o que os seus olhos me responderam
ou quereria dizer-me:
não me chateies?
Para o caso tanto faz,
se sofro é porque mereço
se a chateei não tinha o direito.
Será que ela rezava
porque sabia perto o caixão?
e eu que tenho o meu algures
no sítio que me está destinado
porque não rezo como a velhinha?
se um dia serei um chato dum morto?

©efeneto

Sou louco.

Parado, alheio a tudo, indiferente, o meu olhar se perde no infinito e o meu mundo interior é diferente, eu guardo a estranha calma dum aflito.

Não posso traduzir o que a alma sente, palavras desconexas eu repito; falo sozinho, calmo, e de repente em ânsia de revolta solto um grito! O meu cérebro fervilha em confusão, as imagens se cruzam sem cessar não consigo firmar minha atenção delírios de grandeza... depressão...uma vontade louca de gritar- Senhor, senhor, devolva-me a razão!

efeneto

Entre o Real e o Imaginário



Às vezes choramos
encostados a uma saudade
ou entristecemos
eivados de melancolia.

Outras vezes voltamos
numa dor distante
sem razão de ser.

É assim o tempo
dividido entre o real e o imaginário,
sentimo-nos cercados
e lamenta-se o tempo perdido.

É tempo de romper com tudo,
é tempo de libertar
as imagens e as palavras.

É tempo de unir o peito
a outro peito
e fingir que tudo é perfeito.

**
© efeneto
**

A Noite


Chamam-lhe Noite...
Poderiam lhe chamar Ennenrdur...
Chamam-lhe noite, porque evoca esse sublime beijo
que rouba à luz...
envolta em mantas de silêncio...
em rasgos de ténues carris de estrelas,
por onde a nau de estrelas esvoaça...
Sim, chamam-lhe noite...
Noite branca da solidão,
redes de brilhos finos, dão à costa deste oceano de pedra, da vida...
Eis que regressa a...noite.

Fernando Neto

Seguidores

Creative Commons License Esta obraestá licenciada sob uma Licença Creative Commons.