Por detrás das árvores do Parque o sol do entardecer é um rio de lava vermelha que mergulha no horizonte, engolindo cores, espaços e tempos.Vermelhas as nuvens e escuras as árvores, são o contra luz com riscos negros de sombras esbatidas. A melancolia do pôr-do-sol que desce das alturas cobrindo o ar de silêncios, transformou-se em energia possante para o dia que há-de nascer.Neste Outono solarengo a luz vermelha desmaiada do fim do dia recorta contra o céu pálido de azuis as árvores vivas do Parque. Ao longe, nos campos ainda castanhos, só espaças ervas salpicadas de verde ondulam em silêncio. E as sombras já despertas gargalham por mim a dentro como esperanças translúcidas a animar a passarada que se acolhe ao abrigo das árvores.


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