Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

Há um mistério nos olhos...

As conversas na tua voz
são como promessas subtis
sem procura nem achamento.


Varrem-nas o vento leve
que de forte não precisam.


Há um mistério nos olhos
indecifrável e temerário,
ora tristes ora brilhantes
como se brincassem na água.


De ingénuos nem a sombra
que às vezes os sublinham.


São como plantas carnívoras
impiedosas e letais:
o olhar desta cigana
negro como punhais
nem na verdade me engana.

*
© efeneto
*

Encontrei-te por dentro das mãos,
na orla do teu sorriso
e nos teus olhos meigos.

Fixamo-nos tão ternamente
como nos esperassemos desde sempre.

Baixaste os olhos sem deixar de sorrir.

Suavemente te aflorei o rosto,
escrevi um verso nos teus cabelos
e os nossos lábios tocaram-se
com um sabor novo.

Demoramo-nos na contemplação do outro
e de mão na mão soubemos
que começava ali o nosso sol.

efeneto

*



Solene,
vou ao longo dos poemas
nesta caminhada de Outono.
Nos seus recantos procuro
o sulco de um barco
que rume a sul.
Subo a colina das palavras
pleno de ousadia
e viajo no centro do que sou
num único verso.
Só os versos são uma viagem
a caminho do sul
e das paredes brancas
moldadas pelo sol.

 ©efeneto


O tempo que foi novo envelheceu,
não pela idade que durou
mas por aquilo que não foi.

Amor não pode ser obsessão,
nem palavras caladas,
nem ciúme alimentado, nem energia roubada.

Amor, que foi muito, morreu
por falta do alimento vital.
Se um dia regressasse
encontrava dois novos amantes
só iguais na aparência.
Por dentro seriam outros
tão distantes de ontem
como se mil anos
se tivessem passado.
©efeneto

[... a vela e os copos...]



Aprendo contigo novos sons
na descrição dos concertos
regalando o gosto da música.
Caetano ou Gal nos enchem a alma
pelas fímbrias do silêncio
que as mãos e os lábios agradecem.
Na mesa o cinzeiro, a vela e os copos
as sonoridades novas ou reaprendidas
sons e objectos que se completam
embalados no inefável recanto
a que se alcançaram.
Amar aqui é amar na praia
com a protecção das paredes brancas
dos sons e dos odores.
Nas tuas pálpebras fechadas
o beijo que repousa dos lábios mordidos
e a chama que volta
a saber a pão e a vinho.
Aqui nos merecemos
na mão que liberta flui no corpo
e no amor que construímos.


efeneto



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