Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

Bar...


Fechei o guarda chuva da noite
e entrei no bar
para ver gente e emborcar um copo.
Para quê? Não quero esquecer nada!
Encandeiam-me os faróis de um carro
e eu ponho-me a pensar...
que vou eu fazer ao bar?
Falar de quê? De mim não me apetece.
Prometi ser mudo
sobre a minha vida.
Afinal quem determina a minha vontade?
Eu ou os outros?
Saí ao fim de um uisque
que me soube mal.
Melhor seria o sono
que por mim esperava.

Fernando Neto

Enquanto o mundo dorme...




Enquanto o mundo dorme
Vejo as luzes que vivem
Enquanto o mundo dorme
E nada há que o transforme
Seja ele antigo ou jovem

Enquanto o mundo dorme
Estou acordado numa nuvem
À espera do son[h]o que vem
Antevendo algo de enorme

E nada há que o transforme
Um viver que me convém
Recebendo o que dele advém
De sorriso nos lábios conforme

Seja ele antigo ou jovem
Haverá alguém que o informe
A esse mundo que ainda dorme
Do belo sonho que dele provém?

Fernando Neto

Ocaso


Pressenti o naufrágio
que me deixou só neste deserto:
os seus olhos de mar já me haviam avisado.
Uma tempestade de palavras
silenciosas como convém
ou ardilosas como lhe convinha,
espalhou o caos no velame
e o barco desgovernou-se
e doeu-me no interior que sou.

Neste deserto,
nesta opacidade,
haverá uma estrela,
pequena que seja,
a que me agarrarei
nem que seja para cavar
o meu próprio ocaso.


© Fernando Neto

Quem passa por mim não vê...


Quem passa por mim
não vê
que homem aqui chegou,
só viu matéria por fora
por dentro nem se lembrou.
Só quero ser, por ora,
um homem que sabe amar,
solitário na solidão
sem inspirar comiseração.
Não me afundarei
em qualquer rio revoltoso.
Nenhuma onda ou túnel
escurecerão a minha vontade.
Sou eu, inteiro e sem ódios
que o meu coração não guarda.
Serei amanhã o que for
com os amigos em meu redor.

Fernando Neto

Solene...



Solene,
vou ao longo dos poemas
nesta caminhada de Outono.
Nos seus recantos procuro
o sulco de um barco
que rume a sul.
Subo a colina das palavras
pleno de ousadia
e viajo no centro do que sou
num único verso.
Só os versos são uma viagem
a caminho do sul
e das paredes brancas
moldadas pelo sol.

 ©efeneto

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