Há uma febre nos dias
e na ânsia de palavras plenas,
de gestos precisos,
de mãos exactas,
de sorrisos na penumbra.

É nesta febre de te escrever
que me reconheço
e te encontro.

Na sede que arde
escrevo para sentir
a delícia sequiosa
dos teus beijos.

E na febre te acolho,
braços anelantes,
estreitando-te
na sombra das papoilas.

Febre imorredoira
nos dias em que a sede
se sacia nas fontes do teu olhar
ou arde no calor dos teus beijos.