Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

Uma velha



Uma velha rezava o terço
ou passava o tempo na ladaínha.
Perguntei-lhe com os olhos
porque rezava.
Por ti meu filho, que sofres.
Foi o que os seus olhos me responderam
ou quereria dizer-me:
não me chateies?
Para o caso tanto faz,
se sofro é porque mereço
se a chateei não tinha o direito.
Será que ela rezava
porque sabia perto o caixão?
e eu que tenho o meu algures
no sítio que me está destinado
porque não rezo como a velhinha?
se um dia serei um chato dum morto?

©efeneto

Sou louco.

Parado, alheio a tudo, indiferente, o meu olhar se perde no infinito e o meu mundo interior é diferente, eu guardo a estranha calma dum aflito.

Não posso traduzir o que a alma sente, palavras desconexas eu repito; falo sozinho, calmo, e de repente em ânsia de revolta solto um grito! O meu cérebro fervilha em confusão, as imagens se cruzam sem cessar não consigo firmar minha atenção delírios de grandeza... depressão...uma vontade louca de gritar- Senhor, senhor, devolva-me a razão!

efeneto

Entre o Real e o Imaginário



Às vezes choramos
encostados a uma saudade
ou entristecemos
eivados de melancolia.

Outras vezes voltamos
numa dor distante
sem razão de ser.

É assim o tempo
dividido entre o real e o imaginário,
sentimo-nos cercados
e lamenta-se o tempo perdido.

É tempo de romper com tudo,
é tempo de libertar
as imagens e as palavras.

É tempo de unir o peito
a outro peito
e fingir que tudo é perfeito.

**
© efeneto
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A Noite


Chamam-lhe Noite...
Poderiam lhe chamar Ennenrdur...
Chamam-lhe noite, porque evoca esse sublime beijo
que rouba à luz...
envolta em mantas de silêncio...
em rasgos de ténues carris de estrelas,
por onde a nau de estrelas esvoaça...
Sim, chamam-lhe noite...
Noite branca da solidão,
redes de brilhos finos, dão à costa deste oceano de pedra, da vida...
Eis que regressa a...noite.

Fernando Neto

Assim sou eu


O silêncio, o calor, os odores
os sons ao cair da tarde
o cheiro a terra molhada
a simplicidade de um sorriso
o olhar perdido no horizonte
uma árvore, um barco à deriva

A sensação de liberdade
pertença a uma essência maior
um estado quase selvagem
primitivo, sem fronteiras
a procura incessante de quase tudo
a falta de quase nada
a vida contida nos limites da pele

uma força maior
uma dor na alma

Assim sou eu


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