Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

Grito.com...Maria Clarinda



Duendes… À capuchinho vermelho

Sempre a repetir estas duas regras, a capuchinho entrou de novo na floresta. Com ela iam dois duendes sorridentes que há muito tinham trocado a floresta por uma carreira partidária, o da direita levava um saco e o da esquerda um pau de limoeiro pois nunca se sabe o que pode acontecer e o lobo mau era bem capaz de preparar uma cilada inesperada para abafar a capuchinho. Os ruídos da floresta são conhecidos desde que se lêem histórias infantis e foi também por isso que nem a capuchinho nem os dois duendes se aperceberam do verdadeiro silêncio que os rodeava. As folhas não balançavam, as flores não desabrochavam, o sol não brincava às escondidas, os animais não respiravam, não havia olhos curiosos à espreita atrás dos troncos, nem fantasmas adormecidos dentro das árvores à espera da noite para lhes vestirem os ramos. Só se ouvia os passos dos três intrusos afinados e decididos pelo caminho vezes infinitas trilhado das histórias contadas que a memória guarda para sempre. Passaram a fonte cristalina e apenas um fio de água retorcido e inaudível se despegava das pedras e desaparecia na terra indiferente, passaram a casa da avozinha mas nem se deram ao trabalho de olhar, fartos de saber que há muito o caruncho e as teias de aranha povoavam aquele espaço mítico, andaram, andaram e quando deram conta estavam outra vez na entrada da floresta. Nesse momento perceberam que algo estava mal, entreolharam-se perplexos, a capuchinho dizia que não podia ser, que não foi para isso que se fez ao caminho e os duendes, então, ter-se-iam já esquecido de onde vieram? Voltaram à floresta e começaram a dizer em voz alta que ninguém tivesse medo, que iam em missão de paz, queriam apenas apanhar o lobo mau que estava muito gordo e que certamente era responsável por aquela desolação, aquele abandono. À capuchinho pareceu-lhe ouvir umas palmas e perguntou aos duendes se também tinham ouvido. Claro que sim, que ouviram, era melhor repetir as mesmas palavras, mais alto ou mesmo aos gritos. Como era de esperar a capuchinho ficou calada por se lembrar da regra número dois, mas os duendes encarregaram-se de espalhar a velha nova: o lobo mau era o culpado, vamos prender o lobo mau. Nem foi preciso muito, como um eco, as palmas invadiram a floresta e aqueceram a vontade da capuchinho em levar o seu plano até ao fim. Faltava encontrar o lobo e a capuchinho lembrou-se de um outro caminho, mais sinuoso, onde outrora tivera com ele longas conversas, atraída pela simpatia e delicadeza de um animal tão tenebroso. Ao chegarem perto de uma árvore carcomida um som estranho e cansado obrigou-os a abrandar o passo. Encostado ao tronco, o lobo olhava-os com a curiosidade dos sábios habituados a muitas privações e a muitos contratempos.
E o lobo perguntou à capuchinho por que trazes dois duendes, é para te agarrar melhor; por que tens uma voz tão meiga, é para te os ludibriar melhor; por que só agora é que apareces, se há trinta anos repartes o poder. A capuchinho não sabia a resposta porque a pergunta não constava do conto original e ela ficou mesmo perdida, tão perdida que teve vontade de gritar, mas conteve-se. O lobo mudou de assunto e, lembrando os tempos antigos, achou que a capuchinho o poderia ouvir sobre as dificuldades e injustiças que a vida na floresta comporta, achou que podia dar um contributo para que a floresta voltasse a ser uma floresta, quis lembrar que não vivia sozinho que havia outros lobos e que outros animais poderiam ser tão maus como ele, mas a capuchinho não queria ouvir, tapava os ouvidos com as mãos e abanava a cabeça recitando a primeira regra: o lobo é mau é gordo, maugordomaugordomaugordo, vamos matar o lobo. Num ápice, os duendes apoderaram-se da pele do lobo e desataram a correr enquanto a capuchinho, desesperada, se escondia nos arbustos. O lobo, despojado da pele, deitou-se desolado à porta da toca ignorando-a por completo enquanto a via pé ante pé a afastar-se dali.

Na conferência de imprensa que a capuchinho deu na semana seguinte, acolitada pelos duendes sorridentes, havia a pele de lobo estendida diante dos microfones como prova de que tinha cumprido os objectivos. A paz estava assegurada. Quando a conferência terminou e não havia mais ninguém na sala, os duendes resolveram brincar com a capuchinho e estenderam-lhe a pele pelas costas.
...



Obrigado Amiga

16 comentários:

MEU DOCE AMOR disse...

E assim é na vida.Vestiu a pele,não?

Hum...

Belo texto.Gostei imenso.Soube bem ler.

Um beijo aos dois e parabéns.

...outro...

**Estrelademim** disse...

xiiiiiiiiiiiiii amigo desculpa...tens miminho sim eu é que me enganei no endereço do blog escrevi poemapoesia em xs de paginapoema...volta lá que os miminhos são para ti eu é que me enganei no link beijinho doce querido

GarçaReal disse...

Pois, há sempre alguém que veste a pele do lobo.

Foi...É...E será sempre assim.

Muitissimo bem escrito.

Boa conjugação de gritos.

Beijos aos dois

coisas&letras disse...

É bom revisitar-te... e como já não fazia há algum tempo... fiquei a ler as novidades...

gostei muito de todas. As parcerias que tens são optimas também e o resultado só poderia ser fantástico!

Voltarei... Até Já:
C&L:)

efeneto disse...

*meu doce amor*
...po vezes sabe bem vesti-la (risos)...continuo á espera. Beijo.

***Estrelademim***
xiiiiiiiii mais miminhos...já lá vou. Beijo. xiiiiiiiiiii...

*GarçaReal*
"Foi...É...E será sempre assim."
Disse tudo amiga. Um beijo.

*coisas&letras*
As boas visitas á casa tornam (risos).Tenho que ir ao seu "Textos com História".

MEU DOCE AMOR disse...

Efeneto:)

Sabe pois,mas depois são elas...ai são são.

O que me diverti ontem ehehehe

Logo vou lá outra vez.

Um beijo doce:)

Bom fim de semana

Sunshine disse...

Gostei de ler uma versão mais actualizada velha história.

E como sempre, o mau da fita é o lobo, tadinho dele, afinal a Capuchinho e os duendes não são lá muito boas peças ...

É sempre bom ver novos pontos de vista em relação as antigas histórias da nossa infância . .

Parabéns por mais esta parceria.

Bjs Poeta e um bom fim-de-semana, cheio de sol e tudo de bom.

GarçaReal disse...

A pele do Lobo não visto.

Mas estou aqui para desejar bom fim de semana à frente de uma quente lareira...
o tempo já pede.

Bjgrande neste grito

efeneto disse...

*meu doce amor*
...vá lá, vá...depois queixe-se!!...

*Sunshine*
Num mundo em constante evolução, porque não modernizar histórias imortais??!!... beijo.

*GarçaReal*
...não me faz inveja que a minha já está acesa...e com o assador tradicional de barro e esburacado cheio de castanhas...hehehehe...bem feita.

rosa dourada/ondina azul disse...

Uma nova versão da bela história do capuchinho vermelho :)))

Parabéns amigo pela tua originalidade e pelo carinho com que fazes estes posts de amizade !


Beijinho,

lua prateada disse...

Lindo como sempre...Parabens aos dois.Beijinho prateado da
SOL

Eärwen Tulcakelumë disse...

Bom conto! Boa parceria.

Pérolas incandescentes de doce inspiração.

Eärwen

Maria Clarinda disse...

E assim se juntam, a Capuchinho menina ingénua...e os duendes sempre danadinhos para aprontarem das suas...e neste caso...uhm,uhm!
Adorei a versão da história da capuchinho, belissímamente transformada por ti, Amigo!!!
Obrigada pelo carinho, sinto-me imensamentefeliz por uma foto minha ter sido inspiração para tão delicioso, post.São Amigos como tu que nos fazem ver os dias mais bonitos.
Jinhos grandes!

Bom fim de semana e breve irás ter a presença de um Duende...rs

MEU DOCE AMOR disse...

Menino:

Fui á amiga Garça e vi que o menino falou de Viriato.Um grande Guerreiro...um ser de Grande Luz.Continua e continuará a ser um Talento em toda a Lusitânia.

Um beijo doce

Vou la´pois!:)Auuuuuuu!!!!!!!

efeneto disse...

*meu doce amor*
Em relação a Viriato e como resido perto de Viseu, já tive o trabalho de falar com ele, mas ele não me ouve...pareçe uma rocha. Beijito e agora vá lá ao cemitério bater no "gajo"...

*Maria Clarinda*
Eu é que agradeço a disponibilidade. Beijo de agradecimento.

*Eärwen Tulcakelumë*
Obrigado pela visita. Um beijo.

*lua prateada*
...linda como sempre a tua visita. beijito.

*rosa dourada/ondina azul*
...tento de uma forma simples agradecer a fidelidade dos amigos. Beijo.

Sahmany disse...

Eu adoro ler as histórias dela.
Sempre que posso dou uma passada por lá. Amei vê-la aqui contigo.
Beijos de morango (ooops até eu?)
kkkk

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