Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

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Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

Quarto sem luz...

O final de uma trilogia que dedico a alguém que já partiu mas está a ler. A historia feita palavras de um “momento” que marca a vida de uma pessoa. “Amantes”, o antes do momento. “Ela partiu”, o momento. “Quarto sem Luz” o depois do momento. Até sempre...
Mergulho na banheira de água quente, submergida, sustenho a respiração até ao limite.
Lentamente, sem pressa, retomo a vida, enchendo o peito de ar.
Recosto-me contra a frieza gelada da cerâmica branca.
Cerro os olhos.

O corpo perde força, libertando-se do cansaço, do suor, do cheiro a ...
Livre do momento que acabou.

Com o pé empurro o frasco de óleo de banho para dentro de água, vazando a totalidade do seu conteúdo.
O cheiro a jasmim invade o espaço num odor doce e agreste numa mistura almiscarada e sempre calmante aos meus sentidos.
Sozinho em casa.

O silêncio deixa ouvir os primeiros sons da noite, os pássaros anunciando o regresso ao ninho, os carros que passam céleres numa invasão de fim de dia, o ruído incessante dos cães adivinhando o regresso iminente dos seus donos.

Às escuras, aninhado na água quente, no silêncio do fim de um momento escuto a minha voz. Os segredos invadem o meu peito, a luz invade-me o olhar, a saudade aperta-me o peito. Baixinho, a sussurrar, a voz dos meus sonhos ocupa o espaço que tantas vezes lhe roubo. Aquela voz silenciosa que poucos conhecem, e quase nenhuns entendem.

É a voz sem palavras, sem pronúncias, erros ou acentos. É a voz pura e nua que evolui dentro de mim, nunca me deixando esquecer quem sou e quem sonho ser.

Ergo-me sobre a água quase fria, o corpo pingando num restolhar de sons invasores. Abro o chuveiro, deixo a água queimar-me a pele, coloco o rosto sob o jacto forte, e, mais uma vez, sinto parar o tempo.

Acaricio o corpo quente enquanto liberto o champô hidratante espalmando a esponja contra o meu peito. Os poucos cabelos pedem atenção

A água do chuveiro cai incessantemente entorpecendo outros sons e a realidade para além do espaço onde estou.

Os olhos abrem-se para encontrar a escuridão instalada.

O banho termina, e deixo que o meu corpo se enxugue naturalmente.

O espelho reflecte-me. Ou apenas reflecte os que os meus olhos vêm?


Descalço, subo ao quarto onde a cama aberta deixa ver os lençóis alvos que me estimulam os sentidos.

A luz da noite encaminha-me para a varanda, pela qual posso apreciar a luzes pequeninas de cada casa lá fora. As portadas verdes ficam abertas pela noite dentro.

Deito-me na cama larga, abraço a almofada vazia tu já não estás...



efeneto*

15 comentários:

GarçaReal disse...

Sem palavras...


bjgrande

Kalinka disse...

EFENETO
QUE LINDO É O AMOR...mas também muito sofrível...

ESTOU DE VOLTA.
AS FÉRIAS TRANSMITIRAM-ME UMA ENERGIA ESPECIAL...grata por ser uma privilegiada em chegar onde muitas pessoas nem sonham lá ir e, estou de regresso para continuar a encantar-me e encantar-vos com o que existe por esse Mundo fora.

Irei começar uma foto-reportagem das minhas férias no Canadá. Cheguei hoje, dia 1 de Agosto...ainda cansada, amanhã darei início às revelações.
Beijokas.

MEU DOCE AMOR disse...

Lindo.Não está presente, mas está Efeneto,mas está.

Beijinho doce

Mena disse...

Lindo! Mesmo muito lindo! Mas . . para mim o amor está sempre presente nesse quarto sem luz. Em cada banho, no cheiro intenso do jasmim, nos sons da noite e apesar do duche bem quente, estará sempre aí. Na tua pele, nos alvos lençois e na almofada que abraças.
Está sempre aí . . . sempre.

lua prateada disse...

Esse amor...que partiu sem partir!...ele continua e continuará em tua memória bem viva de todos os momentos vividos...continuará em teu coração em todas as tuas entranhas...mas deixa lá migo mais vale sofrer por amor,do que nunca o ter conhecido..Beijinho com carinho da
SOL

efeneto disse...

*garçareal*
...por vezes são esses os comentários mais sentidos...beijo de amizade.
*kalinka*
...seja bem vinda de volta ao Clube dos Poetas Trabalhadores (risos)...traga de lá então essas fotos...beijo.
*meu doce amor*
...estou e estarei pois ainda terão que me aturar por mais algum tempo...escreverei até que a internet queira...beijo.
*mena*
...e estarei...beijo de amizade...pense num espaço seu...porque não??...beijo.
*lua prateada*
...tu sabes que eu sei que tens razão...beijinho amigo para a amiga "velhota" (risos).

=**Estrela Brilhante**= disse...

poderá até partir...teus olhos deixarão de ver...mas habitará sempre no teu coração...na tua memória...amei o post querido amigo...
amigo passa neste cantinho tem lá um prémio para ti,meu ramo de beijinhos doçes para ti amigo

©õllyß®y disse...

Mas...permanecerá no coração, um momento ou eternamente...

Grata pela visita sempre amorosa...

Doce beijo

pessoa nenhuma disse...

nada te escapa ao sentir..revela a pessoa que és e o valor que dás ao amor...deitas-te só, julgas tu...
adorei, como sempre.

Olhos de mel disse...

Versos que saem da alma, traduzem uma dor infinita... a dor da saudade! Não ha o que se dizer, quando temos que sublimar um amor que foi pra eternidade.
Bom fim de semana! Fique com Deus!
Bjs

Bia disse...

Depois de ler os dois poemas que nos ofertaste nos últimos dias, e que me enterneceu pelo teu sentido versejar (a dor da perda nos faz extrair da alma o que de mais puro e belo nela existe), só podias mesmo nos ofertar algo assim tão sublime, tão sentido, tão verdadeiro.

Tocou-me profundamente esse teu poema de uma beleza imensa.

Deixo-te pétalas de uma linda rosa azul, um beijo no teu coração, e o desejo de que os anjos estejam ao teu lado recolhendo teus sonhos (sim, há que se continuar a sonhar, pois são eles, os sonhos, que abrem as novas possibilidades na nossa vida)para espalhá-los nos caminhos das estrelas.

Maria Clarinda disse...

"...�s escuras, aninhado na �gua quente, no sil�ncio do fim de um momento escuto a minha voz. Os segredos invadem o meu peito, a luz invade-me o olhar, a saudade aperta-me o peito. Baixinho, a sussurrar, a voz dos meus sonhos ocupa o espa�o que tantas vezes lhe roubo. Aquela voz silenciosa que poucos conhecem, e quase nenhuns entendem..."
Lindo, Jinhos

simplesmente...eu disse...

Viveram uma vida plena
De momentos maravilhosos
Partilharam segredos
Partilharam vossas almas
Foram amigos, cúmplices
Porém o amor partiu
Mas sempre guardado no teu coração
Entranhado nos teus sentidos
Aconchegado no teu peito
Os sorrisos que trocaram, os ternos abraços...
Guardas as memórias para que sejas feliz.

Simplesmente um beijo amigo

Eärwen Tulcakelumë disse...

“...É a voz sem palavras, sem pronúncias, erros ou acentos. É a voz pura e nua que evolui dentro de mim, nunca me deixando esquecer quem sou e quem sonho ser....

Deito-me na cama larga, abraço a almofada vazia tu já não estás...”


Talvez meu amigo por entender tão bem esse “momentos” pelos quais passam um coração que amou e perdeu esse ser é que me identifico contigo, com essa jornada que fizestes aqui. Lembranças, recordações doridas...e uma saudade invadem a alma e com ela a certeza de que um dia, estaremos juntos a esse “ser” que já nos preencheu os espaços...

Pérolas incandescentes de eterna e doce lembrança.

Eärwen

Marrie disse...

Memórias do espírito

Viver é correr riscos...
Arriscar é não ter medo
De se perder.

Perder a razão,
Perder o rumo,
Viver a emoção!

Sentir tristeza,
Alegria,
Saudades.

Deixar-se envolver...

Momentos inesquecíveis
Guardados na imensidão
Do ser!

bjs

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