Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä

Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Visto-me com as cores do arco-íris, e desenho-te um beijo no poema.

E este medo …


Para iludir minha desgraça, estudo.
Intimamente sei que não me iludo.
Nos meus olhares fúnebres, carrego
A indiferença estúpida de um cego!

A passagem dos séculos assusta-me.
Para onde irá correndo a minha sombra
Nesse cavalo de electricidade?!

Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:
Quem sou? Para onde vou?
Qual a minha origem?

E parece-me um sonho a realidade.

Em vão com o grito e dor
No meu peito impresso!
Dos brados meus ouço apenas o eco,
Eu torço os braços numa angústia doida
E muita vez, à meia-noite, rio
Sinistramente, vendo o verme frio
Que dá de comer a minha carne toda!

É a Morte – esta carnívora assanhada
Serpente má de língua envenenada
Que tudo que acha no caminho, come...
Faminta mulher que, um dia qualquer,
Sai para assassinar o mundo inteiro,
E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

Nesta sombria análise das coisas,
Corro.
Arranco os cadáveres das lousas
E as suas partes podres examino...
Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,
Na podridão daquele embrulho horrível
Reconheço assombrado o meu Destino!

Surpreendo-me, sozinho, numa cova.
Então meu desvario se renova...
Como que, abrindo todos os jazigos,
A Morte, em trajes pretos e amarelos,
Levanta contra mim grandes cutelos
E as baionetas dos dragões antigos!

E quando vi que aquilo vinha vindo
Eu fui caindo como um sol caindo
De declínio em declínio; e de declínio
Em declínio, com a gula de uma fera,
Quis ver o que era, e quando vi o que era,
Vi que era pó, vi que era nada!
Chegou a tua vez, Natureza!
Eu desafio agora essa grandeza,
Perante a qual meus olhos se extasiam...
Eu desafio, desta cova escura,
No histerismo danado da tortura
Todos os monstros que os teus peitos criam.

Semeadora terrível de defuntos,
Contra a agressão dos teus contrastes juntos
A besta, que em mim dorme, acorda em berros;
Acorda, e após gritar a última injúria,
Chocalha os dentes com medonha fúria
Como se fosse o atrito de dois ferros!

Pois bem! Chegou minha hora de vingança.
Tu mataste o meu tempo de criança
E de segunda-feira até domingo,
Amarrado no horror de tua rede,
Deste-me fogo quando eu tinha sede...
Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!

A desarrumação da minha Ideia Aumenta.
Com as chagas O medo, O desalento e o desconforto
Paralisam-me os círculos motores.
Na Eternidade, os ventos gemedores
Estão dizendo que Jesus é morto!

Não! Jesus não morreu! Vive na serra
No ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da árvore uma urna de perfume.

Na agonia de tantos pesadelos
Uma dor bruta puxa-me os cabelos.
Desperto.
É tão vazia a minha vida!
No pensamento desconexo e falho
Trago as cartas confusas de um baralho
E um pedaço de cera derretida!

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.
Eu, somente eu, com a minha dor enorme
Os olhos ensanguentam a vigília!
E observo, enquanto o horror me corta a fala,
O aspecto sepulcral da austera sala
E a impassibilidade da mobília.

Meu coração, como um cristal, se quebra;
O termómetro nega minha febre,
Torna-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converto num pássaro triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!

Ao terminar este sentido poema
Onde vazei a minha dor suprema
Tenho os olhos em lágrimas imersos...
Rola-me na cabeça o cérebro oco.
Por ventura, meu Deus, estarei louco?!
Daqui por diante não farei mais versos.

E este medo …


efeneto*


[2005...há anos que não deviam de existir...]

11 comentários:

Marrie disse...

A morte....

E como a tememos! E, tanto, q por vezes ou por uma vida inteira nos esquecemos q morremos a cada dia. Ela acompanha nossa existência de forma silenciosa até se manifestar concretamente e ser percebida ao levar alguém q amamos e nos faz bem. Morremos internamente a cada fase da vida, a cada objetivo atingido, a cada instante vivido! E não a notamos.... apenas passamos por ela e assim continuamos!
bjs de final de noite

Sahmany disse...

Passando para te desejar um bom dia e começar bem o meu dia, através de tuas palavras e sensibilidade.
Fica com Deus.
Abraço.

Mena disse...

Lindo mas tétrico esse teu poema.
Porquê ter medo? Não morremos nós todos os dias? A cada instante algo morre, um sentimento, um bem querer, uma recordação, enfim uma parte de nós todos os dias vai morrendo até que um dia finalmente iremos num todo.

Ás vezes penso que seria melhor ser de uma vez, este lento morrer . . . máta-me.

Bjs e Vive a vida . . . porque a morte é certa. :-)

GarçaReal disse...

Lindo, belo, triste....
Sem despique...aqui deixo uma gota se sonhos sonhados.........

bjgrande

GarçaReal disse...

Um beijo dado em teu belo poema...

Obrigada....Lindo...

bjgrande

Gwen disse...

Un petit coucou amical en passant !

Les photos sont superbes et je devine que les textes ne peuvent qu'être sublimes !

Bonne semaine ! Amitiés !

MEU DOCE AMOR disse...

"H� anos que n�o deviam existir"...

Mas n�o existem por acaso.S�o momentos que nos ajudam a crescer interiormente.A morte n�o � o fim.� a renova�o,transforma�o...
Assim somos n�s no nosso dia a dia.N�o morremos, mas renovamo-nos.Por vezes tem que ser � custa de sofrimento sim.
Porque para se conhecer a Luz tem que se conhecer a escurid�o.S� assim saberemos dar-lhe o seu valor Luminoso.(digo eu)

Beijinho doce e um sorriso.

efeneto disse...

*gwen*
Salute! mon ami, débiteur par leurs mots, la barrière linguistique jamais será un probleme pour notre amitié. Bissous ami et salut ations pour tous les Portugais qui sont à coté de toi.

*meu doce amor*
...diz voçê e diz muito bem...beijinho amigo.

efeneto disse...

*garçareal*
...uma trégua para descansar, mas palavras não faltaram...beijo amigo, ainda estou encharcado, não sei se do lago se do beijo...

*mena*
...Há alturas que estamos á porta da "luz"...beijo de amizade.

*sahmany*
...é bom saber que os amigos desejam bom dia...beijo.

*marrie*
...apenas podemos "tentar" morrer o menos possível diariamente...beijo.

simplesmente disse...

...não deixes que essa dor permaneça no teu dia a dia, sei que és forte e tudo consegues ultrapassar...
Simplesmente...um beijo carinhoso no meio do medo

©õllyß®y disse...

Bem lá no fundo de nossa Alma, sabemos um pouco...quem somos...

Doce beijo

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